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O termo maneirismo, vem da palavra italiana "maniera", que no século XVI, tinha o significado de estilo, no sentido de refinamento. Para alguns historiadores da arte, entretanto, esse termo está ligado diretamente à idéia de "amaneirado". Isto é, "à maneira de", significando o estilo italiano, na pintura entre 1520 e 1580, abrangendo, portanto, um período de 60 anos apenas que, sucedendo ao Renascimento, antecipou-se ao Barroco, servindo como estilo intermediário entre os dois grandes períodos.
A pintura maneirista caracterizou-se por um refinamento assumido e, muitas vezes, exagerado, principalmente nas combinações cromáticas. Associado à idéia de estilo, o Maneirismo representa o conjunto de elementos típicos de um mestre, de uma escola ou de uma época, que englobou os seguidores, os imitadores e os copistas de Rafael (1483-1520) e Michelângelo (1475-1564), que acabaram criando um estilo, que os historiadores da Arte, mais tarde, isolaram.
Fazem parte do grupo de pintores maneiristas, autêncicas personalidades, como Tintoretto, Ticiano e Veronese, considerados os “mestres maneiristas”, entre muitos outros pintores italianos, menos conhecidos, como Giorgione, Rosso Rossi, Andrea del Sarto, Bronzino, Pontormo, Corregio, Parmigianino, Lorenzo Loto, Dosso Dossi e Domenico Beccafumi, cujos esforços concentraram-se, sobretudo, em quebrar uma harmonia que julgavam ser excessivamente óbvia na colocação das cores e na composição das formas, quebrando essa normatividade da pintura renascentista, muito presa ao formalismo da proporcionalidade matemática, tanto na composição das cenas, quanto na escolha das cores, substituindo-a por uma interpretação mais subjetiva e sugestiva dos temas retratados.
Embora tenha sido considerado um estilo menor na pintura, em que o próprio nome carregou por muito tempo, uma carga algo depreciativa, como estilo bizarro e afetado, o Maneirismo é atualmente considerado um modo de expressão definido, em perfeita consonância com a sua época (o século XVI), podendo ser considerado como o traço de união entre a pintura do Renascimento, que a antecedeu, e a pintura do Barroco, que a sucedeu. O choque sofrido pela Igreja católica com a Reforma protestante abalou definitivamente os alicerces da cultura renascentista, diante da completa impossibilidade de se manter a estabilidade mercantil e o equilíbrio político na Itália, ainda não unificada, naquele momento tão conturbado. Foi nesse cenário que desenvolveu-se a pintura maneirista, que a partir de Veneza, disseminou-se por todas as cidades italianas, onde os artistas passaram a produzir seus trabalhos “a maneira de...” - daí o nome Maneirsmo, atribuído à pintura desenvolvida na Itália, durante esse período. Embora de temática bastante diversificada, onde os temas da mitologia clássica greco-romana tinham bastante aceitação por parte da clientela consumidora de obras de arte, que costumava encomendar seus retratos, em grande profusão, a pintura de temática sacra também teve grande importância e expressão no Maneirismo.
Os temas sacros foram exaustivamente trabalhados pelos principais expoentes da pintura Maneirista, que souberam retratar com o vivo colorido que caracterizou esse estilo de pintura, as cenas do nascimento, vida, paixão e morte de Jesus Cristo, da vida dos santos, além de cenas do antigo e do novo testamento. A pintura maneirista de temática religiosa significou o início de uma reação à Reforma protestante, antecipando-se em alguns anos, à Arte Sacra Barroca, esta sim, produto do Concílio de Trento (1545-1565) em que a Arte colocou-se a serviço da Igreja, no processo de reação ou contra-Reforma, produzindo obras de rara beleza e indiscutível valor. |