| Partículas Elementares |
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Outro dia experimentei o gosto amargo do quão medíocres somos todos nós. Depois de uma semana de leitura, não podia esperar para saber que desfecho teriam aquelas trezentas e poucas páginas, de um livro escrito por um francês que antes de tudo me pareceu um lunático. Era de fato um romance, mas diferente dos outros todos que tinha lido até então. Ao contrário deles este tratava da vida real, pura, sem qualquer pudor e meias palavras. A leitura aparentemente fácil ia aos poucos revelando-se em uma trama que desafiava minha própria existência. Estou falando de "Partículas Elementares", de Michel Houellebecq, uma obra imprescindível para aqueles que um dia já olharam para a vida com olhos inquietos. O enredo tem como base a história da vida de dois irmãos por parte de mãe, Michel e Bruno, e de algumas das pessoas que os rodearam ao longo das suas existências. Nada incomum, não fosse pelo fato de que os relatos do autor são voltados para as questões mais elementares e intrínsecas da vida humana: sexo, valores sociais, família, decadência física e moral, laços sangüíneos, o outro, amor, liberdade. Sem construir um mundo cor-de-rosa e longe de ter traços positivistas, Houellebecq, constitui uma obra única acerca do ser humano, do seu reinado, da sua decadência e do futuro que possivelmente o espera.
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