NR 35 e Suspensão inerte: normas para prevenir danos ao trabalhador

O trabalho em altura oferece muitos riscos. Um deles é o de queda, que pode resultar em suspensão inerte. A Nr35 estabelece normas que ajudam a reduzir esses riscos, bem como as formas de socorro imediatas que devem ser prestadas para socorrer a vítima. Você sabe o que é NR 35 e Suspensão inerte?

Para auxiliar neste entendimento, preparamos este artigo especialmente para explicar o que é a suspensão inerte, quando ela acontece, quais são os seus riscos e o que deve ser feito em caso de acidentes deste tipo. Continue conosco!

O que é uma suspensão inerte?

Entre as medidas para segurança do  trabalho em altura, temos o uso do cinto de segurança ou cadeirinha. Em caso de acidente com queda, o trabalhador fica suspenso pelo equipamento de segurança. Se o socorro não for imediato, a vítima inicia um processo fisiológico conhecido como Síndrome da Suspensão Inerte (SSI).

Essa condição também é conhecida como hipotensão ortostática, trauma de suspensão inerte ou síndrome da cadeirinha. Quando ocorre essa situação, a compressão provocada pelas fitas do equipamento de segurança nos membros inferiores do acidentado represa a circulação venosa.

Por estar inerte, o corpo reage rapidamente com uma série de sintomas que podem levar a danos permanentes ou mesmo à morte, caso o resgate não ocorra a tempo.

O que causa a Síndrome da suspensão inerte?

A Síndrome da suspensão inerte ocorre no momento em que o trabalhador sofre uma queda e fica retido pelo cinto de segurança aguardando o socorro. Ela é causada pela condição de imobilidade e suspensão, que causam danos, às vezes irreversíveis, ao organismo.

Ao ficar suspenso pelo cinto de segurança, o fluxo de sangue do trabalhador sofre uma compressão, impedindo o funcionamento correto do sistema circulatório. Isso ocorre porque as correias do cinto impedem o fluxo sanguíneo especialmente nos membros inferiores.

NR 35 e Suspensão inerte

Os sintomas surgem a partir de 5 minutos e progridem de forma rápida, podendo levar a óbito por enfarte ou ruptura do miocárdio. Entre os principais sintomas da suspensão inerte, destacamos

  • palpitações;
  • tontura e náuseas;
  • zumbidos no ouvido;
  • sudorese;
  • perda de visão;
  • dormência nos membros inferiores;
  • hipotermia;
  • desmaios;
  • sensação de asfixia;
  • contrações;
  • hipotensão;

Para evitar maiores danos, a partir do momento da queda, o resgate deve ser realizado em pouco tempo. Esse quadro progride rapidamente para um aumento da frequência cardíaca, seguido por queda de pressão e diminuição de oxigênio nos membros e no cérebro.

O estrangulamento provocado pelo cinto pode, ainda, provocar edemas e isquemia leve. Com isso, a vítima pode ter trombose venosa, insuficiência renal, embolia pulmonar e fabricação de ácido nos músculos.

Quanto tempo uma pessoa pode ficar em suspensão inerte?

Não há uma resposta específica para o tempo que uma pessoa possa ficar em suspensão inerte sem comprometer a sua saúde. O ideal é que o resgate ocorra o mais rápido possível, pois os sintomas surgem a partir de 5 minutos e progridem de forma muito rápida.

Cada organismo reage de uma forma, e existem fatores que podem agravar o caso, tais como a condição física do indivíduo, cinemática da queda ou até mesmo o modelo do cinto de segurança utilizado.

Os cintos atuais são cômodos, confortáveis e resistentes à queda, porém segundo testes nenhum modelo se apresenta eficaz para evitar a ocorrência de uma síndrome de suspensão inerte. O recomendado é utilizar um modelo que seja anatômico, a fim de reduzir o desconforto durante uma possível suspensão.

O trabalhador também deve ser capacitado a verificar e identificar se está utilizando o tamanho correto e se o cinto se encontra perfeitamente ajustado em seu corpo.

Para evitar o risco de suspensão inerte,  a NR 35 determina que o uso do cinto de segurança seja a última medida na hierarquia a ser adotada contra o risco de quedas, pois ele não elimina o risco. Sua utilização serve apenas para minimizar consequências maiores.

O que é posição inerte?

Dizemos que o corpo está em posição inerte quando ele se encontra parado. No caso da suspensão inerte, o trabalhador está inerte, suspenso pelo seu equipamento de segurança, sem chances de locomoção.

O que é recomendado após o resgate caso a vítima esteja consciente e tenha ficado mais de 15 minutos suspensa?

Nos casos em que o acidentado tenha ficado suspenso durante mais de 15 minutos e se mantém consciente no momento do resgate, são necessárias medidas especiais para que a sua circulação sanguínea seja recuperada de modo gradativo.

A primeira delas é não deitar a vítima imediatamente. O correto é manter a pessoa sentada e flexionar os seus joelhos e pés durante aproximadamente 10 minutos. Essa medida irá favorecer o fluxo de sangue nos membros. Apenas após esse procedimento a vítima poderá ser posicionada deitada.

Em casos onde a pessoa se encontra semiconsciente ou inconsciente, o correto é seguir os procedimentos padrões de primeiros socorros, para evitar o agravamento da situação.

Quanto tempo uma pessoa pode ficar pendurado no cinto de segurança?

O ideal é que o resgate ocorra de forma imediata. Caso não seja possível, esse salvamento não deve exceder 10 minutos, pois durante este período o corpo do acidentado já está reagindo com os primeiros sintomas.

Como os sintomas progridem de forma muito rápida, em pouco tempo o trabalhador pode perder a oxigenação ir a óbito. Por isso, a NR 35 recomenda o resgate o mais rápido possível, para que a vida do trabalhador possa ser salva sem maiores danos.

Conforme vimos ao longo deste artigo, é grande o risco de morte por suspensão inerte. Nr35 determina medidas de resgate que devem ser tomadas imediatamente em caso de acidente.

Quando se trabalha com altura, é essencial que a equipe tenha realizado um curso sobre a norma NR 35 e esteja apta a utilizar os equipamentos com segurança, bem como realizar resgates ágeis e eficazes.

Lembre-se sempre que o resgate de um trabalhador que está em suspensão inerte deve ser rápido e eficiente. Essa condição pode matar em poucos minutos.  Dessa forma,  é fundamental que a equipe esteja preparada e que haja sempre a presença de alguém capacitado para o salvamento.

Quer saber mais sobre trabalho em altura e NR 35  e as demais Normas Regulamentadoras? Acompanhe o nosso blog!